Antes de estrear novo espetáculo em 2012 (Pentateuco),
Os Fofos Encenam reapresentam obras de seu repertório
em comemoração aos dez anos do grupo. Depois de Memória da Cana,
agora é a vez de “Assombrações do Recife Velho” – que inaugurou
o teatro da companhia em 2007. O espetáculo está em cartaz
no Espaço dos Fofos (Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista),
em São Paulo, para temporada até 19 de dezembro, com sessões às sextas
e sábados às 21h, domingos e segundas às 20h. O ingresso custa R$ 30,00.
Com dramaturgia e direção de Newton Moreno, a peça Assombrações
do Recife Velho foi criada a partir obra homônima de Gilberto Freyre.
O espetáculo ganhou os Prêmios Qualidade Brasil de Melhor Espetáculo,
Diretor e Ator em Comédia (Fernando Neves) e recebeu três indicações
ao Prêmio Shell em 2005 (Melhor Diretor, Iluminação e Música).
A terceira peça montada pelo grupo tem no elenco os atores Carlos Ataide,
Carol Badra, Cris Rocha, Eduardo Reyes, José Roberto Jardim, Kátia Daher,
Luciana Lyra, Marcelo Andrade, Paulo de Pontes e Viviane Madu.
O espetáculo é itinerante: o espectador é conduzido pelo espaço
e vai se deparar com os fantasmas que assombravam os recifenses
na década de 20 e viraram lenda.
A peça mostra personagens populares narrando histórias de fantasmas
que assombravam a região nordestina. Figuras como o Lobisomem,
o Papa-figo e o Boca-de-Ouro são evocados por contadores que,
numa atmosfera recheada de humor e mistério, contribuem para a busca
do entendimento da formação do povo brasileiro e sua relação
com entes sobrenaturais.

Sobre o livro Assombrações do Recife Velho:
Assombrações do Recife Velho surgiu durante a passagem
de Gilberto Freyre pelo jornal A Província, onde o autor se interessou
pela notícia de um homem que pedia auxílio para livrar-se de fantasmas
numa casa em Pernambuco. O livro de Freyre foi construído a partir
de três fontes: os arquivos da polícia, com suas notificações de queixas
de fantasmas e casas mal-assombradas, relatos de cronistas da cidade
no período do Império e, sua fonte mais rica, os fiéis contadores.
No livro surgem os diabos negros, os exus pertencentes aos escravos
africanos e outros demônios de cabelo em fogo que assustavam recifenses
à época da invasão holandesa – uma metáfora sobre o fantasma
do colonizador. Não faltam histórias sobre tesouros ocultos por judeus,
flamengos e jesuítas – como o que pertencia a Branca Dias, judia dos tempos
da inquisição, e que permanece escondido até hoje. Freyre relata ainda,
causos de gritos noturnos dos negros açoitados até a morte no Sítio
da Capela e as súplicas noturnas dirigidas à Cruz do Patrão, em Recife,
onde foram fuzilados revolucionários e negros fujões.
Mais informações: (11) 3101-6640













