
O programa Roda Viva, na TV Cultura, recebeu na segunda-feira (23.05.11),
um dos nomes mais conhecidos da música brasileira: Ney Matogrosso.
O cantor falou abertamente sobre sua relação com a família,
o sexo e as drogas, e os momentos mais marcantes de sua carreira.
Questionado pela apresentadora Marília Gabriela sobre uma entrevista
concedida há 30 anos, em que dizia não querer “ficar nisso a vida inteira”,
respondeu: “Nessa época eu acreditava no desgaste do tempo.
Acreditei no que disseram, que aquela voz que eu tinha não se manteria
e que, no máximo, eu chegaria com ela aos 40. Acreditei nisso tudo
e aí eu fui vivendo a minha vida, fui fazendo, fui trabalhando.
Vi e entendi que não existe esse limite. Haverá esse limite, mas ainda não”.
Durante a entrevista, Ney comentou que cantava em um coral em Brasília
e que sonhava em ser ator. Ele ainda falou sobre sua voz. “Quando eu era
criança falava fininho. Eu achava que era um defeito, eu achava que tinha
voz de mulher. As crianças pegavam no meu pé. Muito interessantemente,
anos depois, o que era um defeito me transformou no que me fez
ser a diferença”, salienta.
O cantor também revelou que, em certa época, ele fazia artesanato
e era hippie. “Fui hippie por convicção. Eu acredita que aquilo apontava
para uma outra direção na humanidade. Eu acreditava na solidariedade,
no amor entre as pessoas, na guerra fora do nosso mundo. O seu sobrenome
não me interessava. Eu fiquei uns anos assim, eu abandonei tudo”.
O artista falou sobre a família e a relação tumultuada com o pai:
“Eu saí na porrada com ele. Porque ele me tratava como um escravozinho
dele. Somos três homens e uma mulher e eu era o único que ele perseguia.
Depois, mais tarde eu entendi tudo. Ele percebia em mim uma coisa
diferente, eu nasci artística e ele percebia, ele era militar”.
O tema drogas também pauta a discussão. “Eu tomei ácido, na década de 60,
70, onde também a droga era outra, tudo tinha qualidade. Não é essa droga
malhada que se vende no País”. E acrescenta, em outro momento
da entrevista: “Eu penso que a maconha deveria ser liberada e o crack
deveria ser reprimido até o ultimo grão”.

O sexo e a sua sexualidade também foram repercutidos por Ney:
“Eu transava com mulheres também com muita facilidade,
eu nunca tive impedimento técnico e durante muitos anos eu transei
com homens e mulheres, mas eu sempre temi a cabecinha delas”.
No que diz respeito à política, ele é enfático: “Sinto muito,
mas eu não acredito nos políticos brasileiros. Pra mim eles estão abaixo
do nível critico, por causa da corrupção, mensalão, ladroagem.
Só pensam neles, só querem encher o bolso de dinheiro”.
O artista também comentou que não votou na presidente Dilma Rousseff
porque, segundo ele, era uma imposição do Lula. “Mas estou muito
surpreso. Eu gosto desse estilo discreto, sóbrio, sem falar demais,
sem falar bobagem. Então, até o momento, está me surpreendendo
positivamente. Não votei, mas torço para que ela faça um bom governo”.
O programa Roda Viva, apresentado por Marília Gabriela,
conta com uma bancada de entrevistadores formada por Augusto Nunes,
Paulo Moreira Leite, Patricia Palumbo, Julio Maria e Paulo Caruso.













