
Os 30 anos de Maria Betânia de Antônio Carlos Falcão vão ganhar uma série
de comemorações à altura da cantora e sua fiel escudeira gaúcha.
Durante o mês de novembro, nos domingos, haverá shows com convidados
de todas as épocas da vida da Betânia. O inquieto Falcão anuncia ainda um
documentário intitulado Documentira, com roteiro assinado por ele mesmo.
As comemorações se iniciam no dia 13 de novembro, domingo, às 21h,
onde tudo começou, no Ocidente ( Avenida Osvaldo Aranha, 960 ),
em Porto Alegre. Os demais shows acontecem nos domingos e quartas:
16, 20 e 23 de novembro de 2011. Entre os convidados destacam-se Ângelo
Primon, Boca Freire, Carlos Badia, Nei Lisboa, Sadi Homrich e Mônica Tomasi
e quase todos que de uma forma ou de outra tiveram experiências
com a personagem criada por Antônio Carlos Falcão. Em cena uma grande
cantora da MPB conta muitas passagens de sua vida. É Betânia, a personagem
que nasceu em Bagé e tem que seguir a pé até Salvador, a cidade de todos
os santos. Cantando e declamando versos, a personagem diverte e encanta
não só pela semelhança com a cantora baiana Maria Bethânia Viana Telles
Veloso, mas também pela ironia de desnudar o mito em torno de si.
A personagem Maria Betânia foi criada no início dos anos oitenta pelo ator
Antônio Carlos Falcão, gaúcho de São Borja, admirador e fã da verdadeira
Bethânia. Falcão começou sua carreira no final dos anos 70 em Porto Alegre.
De tanto ouvir a cantora surgiu a personagem e as semelhanças no timbre
e no gestual se aprofundaram com a paixão. Nas palavras de Falcão,
“Betânia nasceu no banheiro, na cozinha… era cantada enquanto
eu cozinhava ou no banho, como muita gente. Um dia veio o convite
de um grupo de dança: eu cantaria ‘oração da Mãe Menininha’
e eles dançariam. Uma brincadeira que, ironicamente, acabou no palco”.
Mais que uma homenagem a Maria Bethânia Viana Telles Veloso,
“A Doce Bárbara” é um exercício constante de improvisação
de um jogo constante com o público que muitas vezes reage
como se estivesse diante da própria Bethânia. Para isso é necessário
aquecimento vocal e muita concentração. Falcão acredita que o ator
deve desaparecer para que o personagem cresça e apareça.
“Nossa viagem é buscar certas emoções da alma e do corpo
para que a personagem surja sem pudor, tão real que pareça verdadeira.
Aí está a loucura e a magia do teatro”, conclui Falcão. Além de ser
uma homenagem à artista baiana, o espetáculo também é um tributo
à Música Popular Brasileira, paixão do ator. Falcão diz ter sempre
escutado MPB. “Gosto da nossa música e considero Maria Bethânia
a maior intérprete brasileira, é uma grande cantora”.
A influência da artista para a carreira de Falcão foi à própria criação
da personagem Betânia.
Um dos pontos altos do espetáculo é a aparição de Chico Buarque
numa imitação (ai sim este recurso é usado como tal) quase perfeita.
Muitas vezes aplaudido em cena aberta quando os dois cantam juntos,
Chico e Betânia interpretando Tatuagem. Outro momento hilário
é a transmutação de Betânia em Nei Matogrosso. Entre uma história
e uma canção, Falcão inclui fragmentos inspirados em Eduardo Galeano,
Freud, e o poeta, escritor e psicanalista gaúcho Celso Gutfreind.
A Doce Bárbara sempre foi um espetáculo maleável:
enquanto a história permanece inalterada, as músicas mudam
a cada temporada, variante essa que acompanha a carreira
da musa Maria Bethânia. O texto é do próprio Falcão
que também dirige. Os figurinos são criados por Rô Cortinhas,
renomada figurinista de Porto Alegre. Na concepção da luz,
outra estrela dos palcos gaúchos, Marga Ferreira, uma das mais
requisitadas iluminadoras do Brasil.
Shows 30 anos de Maria Betânia de Antônio Carlos Falcão
:: Maria Betânia – Antônio Carlos Falcão
:: Guitarra – Daniel Nodari
:: Baixo – Aldo Ibanhos
:: Bateria – Cesar Audi
:: Violão de 7 – Alexandre Missel
:: Figurinos – Rô Cortinhas
:: Luz – Marga Ferreira
:: Direção, texto e roteiro – Antônio Carlos Falcão
Ingressos: 20 reais – no local na hora do espetáculo
Fonte : Bebê Baumgarten e Kellen Hoehr | BD Divulgação
Fotos : divulgação












