Neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner
Neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner

CoronaVirus no Brasil : violência doméstica cresce 50% com isolamento social

As consequências do isolamento forçado e da quarentena estão interferindo no comportamento e nas relações domésticas e familiares. Dados apontam para o aumento de casos de Violência Doméstica. No Rio de Janeiro houve um aumento de 50% de casos de violência doméstica, durante o confinamento. E qual a explicação para o aumento no números de casos?

A neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner comenta que “se por um lado nos afastamos do convívio social, por outro nos expomos a um excesso de convívio familiar. O confinamento, a exclusão, acabam exacerbando uma agressividade, que antes era liberada nas diferentes relações sociais”.

O que diz a ciência?
A especialista aponta que são vários os estudos que associam o retraimento social a perturbações internalizadas como ansiedade, fobias, hipocondria, TOC, depressão, ideação suicida e agressividade: “É de suma importância as interações sociais para o desenvolvimento dos laços afetivos, do prazer da companhia, do desenvolvimento cognitivo, para a introjeção das normas e leis sociais. No excesso de convívio familiar, crianças com escolas fechadas, estão contidas em ambientes reduzidos, na grande maioria em apartamentos, maridos e esposas, estão dividindo além do espaço físico, a dinâmica da casa com os filhos, no mesmo cenário. Isso potencializa os conflitos e confrontos que estavam latentes, tornando-os agora manifestos”.

O Fenômeno da Violência Doméstica

Leninha Wagner destaca que a violência doméstica, é compreendida  como um fenômeno complexo, nas suas distintas formas, particularmente como causa e consequência a desigualdade de poder nas relações de gênero: “A violência doméstica ou de gênero afeta a integridade biopsicossocial da vítima. São diversas as sintomatologias e transtornos do desenvolvimento que podem se manifestar, tais como: doenças nos sistemas digestivo e circulatório, dores e tensões musculares, desordens menstruais, depressão, ansiedade, suicídio, uso de entorpecentes, transtornos de estresse pós-traumático, além de lesões físicas, privações e assassinato da vítima.”

A importância de buscar ajuda

“Estamos num cenário mundial adverso e desafiador e por este motivo a neuropsicóloga aponta que é momento de manter a sanidade mental, através do equilíbrio emocional e, se for necessário, buscar ajuda”, alerta.

” Um Psicólogo poderá lhe ajudar, se em algum momento, você sentir a perda da serenidade, a tal ponto, que sua natureza mais primitiva e inconsciente, possa se transformar em violência psicológica, verbal ou física, contra o outro”, recomenda. “Já se você sente-se uma vítima em potencial, peça socorro pelos canais oficiais. Não se alie ao inimigo, contra você, por medo ou vergonha. Peça ajuda”, completa a neuropsicóloga.